"Tu só, tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano."

Os Lusíadas, Luís de Camões
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Poemas de Amor: “Os Lusíadas” - Episódio de Inês de Castro (Canto III, estrofes 118 a 135)

"Passada estão tão próspera vitória,
Tornado Afonso à Lusitana Terra,
A se lograr da paz com tanta glória
Quanta soube ganhar na dura guerra,
O caso triste, e dino da memória
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que despois de ser morta foi Rainha."

O rei Afonso voltou a Portugal depois da vitória contra os mouros, esperando obter tanta glória na paz quanto obtivera na guerra. Então aconteceu o triste e memorável caso da desventurada que foi rainha depois de ser
morta, assassinada.

 

"Tu só, tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano".

O amor, somente ele, foi quem causou a morte de Inês, como
se ela fosse uma inimiga. Dizem que o amor feroz, cruel, não se satisfaz com as lágrimas, com a tristeza, mas exige, como um deus severo e despótico, banhar seus altares ("aras") em sangue humano: requer sacrifícios humanos. A palavra "pérfido", na obra, geralmente refere-se aos mouros inimigos. Nesse verso, parece indicar que Inês foi morta com a mesma crueldade que se
usava contra eles.

"Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas."

Inês estava em Coimbra, sossegada, usufruindo ("colhendo doce fruito") da felicidade ilusória ("engano da alma, ledo e cego") e breve ("Que a Fortuna não deixa durar muito") da juventude. Nos campos, com os belos olhos úmidos de lágrimas de amor, repetia o nome do seu amado aos montes (para cima, para o alto) e às ervas (para baixo, para o chão). As formas "fruito" e "enxuito" são variantes de "fruto" e "enxuto". Durante muito tempo, enquanto a Língua Portuguesa se solidificava, essas variantes foram utilizadas simultaneamente. Depois, acabou por definir "fruto" e "enxuto" como a forma culta.

 

Na época, "despois", "fruito", "enxuito" e "escuito" eram palavras comuns. As formas são usadas para adequar a estrutura poética de Os Lusíadas (a oitava-rima), formada por versos decassílabos (heróicos ou sáficos) e respeitar o sistema rítmico dos versos: abababcc. Portanto, "fruito" (verso 2) e "enxuito" (verso 6) são as rimas cabíveis a "muito" (verso 4). Essas formas arcaicas ainda são utilizadas em muitas regiões.

"Do teu Príncipe ali te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam;
De noite, em doces sonhos que mentiam,
De dia, em pensamentos que voavam.
E quanto, enfim, cuidava e quanto via
Eram tudo memórias de alegria."

As lembranças do príncipe respondiam-lhe, em pensamentos e em sonhos, quando ele estava longe. Isto é, a memória do amado fazia com que Inês conversasse com ele quando este estava ausente. Ambos não se esqueciam um do outro e se "comunicavam" por meio da memória, em forma de pensamentos e sonhos. Assim, tudo quanto faziam ou viam os deixava felizes, porque lembravam dos respectivos amados. Essa estrofe é bastante ambígua. As lembranças do príncipe vinham à mente de Inês como resposta aos seus cuidados amorosos. Por outro lado, as mesmas lembranças, agora de Inês, existiam (moravam) na alma do príncipe quando estava longe da amada.

 

Os sonhos e os pensamentos dos versos 5 e 6, dois modos de lembranças, pertencem indistintamente ao amado e à amada.
E o sujeito de "cuidava" e "via" no verso 7
tanto pode ser ela quanto o príncipe.

"De outras belas senhoras e Princesas
Os desejados tálamos enjeita,
Que tudo, enfim, tu, puro amor, desprezas
Quando um gesto suave te sujeita.
Vendo estas namoradas estranhezas,
O velho pai sisudo, que respeita
O murmurar do povo e a fantasia
Do filho, que casar-se não queria,"

O príncipe recusa-se a casar com outras mulheres (tálamo: casamento, leito conjugal) porque o amor despreza, rejeita tudo que não seja o rosto da amada (gesto significa rosto, semblante)
a quem está sujeito. Ao ver esse estranho amor, esse comportamento estranho de não querer se casar, o pai sisudo atende ao murmurar do povo e...

"Tirar Inês ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo co'o sangue só da morte indina
Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina
Que pôde sustentar o grande peso
Do furor Mauro, fosse alevantada
Contra uma fraca dama delicada?"

... decide matar Inês para que o filho seja libertado do seu amor.
O pai acredita que só o sangue da morte apagará o fogo do amor. Que fúria foi essa que fez com que a espada cortante que
afrontara o poder dos mouros fosse levantada contra uma frágil
e indefesa mulher?

"Traziam-na os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade;
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela, com tristes e piedosas vozes,
Saídas só da mágoa e saudade
Do seu Príncipe e filhos, que deixava,
Que mais que a própria morte a magoava"

Quando os horríveis e cruéis carrascos trouxeram Inês perante
o rei, este já estava compadecido (com dó) e arrependido. No entanto, o povo persuadia, incitava o rei a matá-la. Inês, então,
com palavras ou com a voz triste, sentindo mais pela dor e saudade do príncipe e dos filhos do que pela própria morte...

"Para o céu cristalino alevantando,
Com lágrimas, os olhos piedosos
(Os olhos, porque as mãos lhe estava atando
Um dos duros ministros rigorosos);
E depois nos meninos atentando,
Que tão queridos tinha e tão mimosos,
Cuja orfindade como mãe temia,
Para o avô cruel assim dizia:"

... levantando os olhos cheios de lágrimas ao céu (somente os olhos, porque um carrasco prendia-lhe as mãos) e, depois, olhando para as crianças – que amava tanto e temia que ficassem órfãs –, disse para o avô cruel (o rei):

"Se já nas brutas feras, cuja mente
Natura fez cruel de nascimento,
E nas aves agrestes, que somente
Nas rapinas aéreas tem o intento,
Com pequenas crianças viu a gente
Terem tão piedoso sentimento
Como co'a mãe de Nino já mostraram,
E co'os irmãos que Roma edificaram:"

"Se já vimos que até os animais selvagens, cujos instintos são cruéis, e as aves de rapina têm piedade com as crianças, como demostraram as histórias da mãe de Nino e a dos fundadores
de Roma...".
Semíramis, rainha da Assíria e mãe de Nino, a abandonara num monte. Nino foi alimentada por aves de rapina. Rômulo e Remo, fundadores de Roma, foram abandonados quando infantes e amamentados por uma loba.

"Ó tu, que tens de humano o gesto e o peito
(Se de humano é matar uma donzela,
Fraca e sem força, só por ter sujeito
O coração a quem soube vencê-la),
A estas criancinhas tem respeito,
Pois o não tens à morte escura dela;
Mova-te a piedade sua e minha,
Pois te não move a culpa que não tinha."

Sendo assim, o rei, que tinha o rosto e o coração humanos (se é que é humano matar uma mulher só porque esta ama um homem que a conquistou), poderia ao menos ter respeito e consideração às crianças, ainda que não se importasse com a triste morte da mãe. Inês suplica, então, que o rei se compadeça dela e das crianças, já que não quer perdoá-la ou absolvê-la de uma culpa, um crime, que não tinha cometido.

"E se, vencendo a Maura resistência,
A morte sabes dar com fogo e ferro,
Sabe também dar vida, com clemência,
A quem para perdê-la não faz erro.
Mas, se to assim merece esta inocência,
Põe-me em perpétuo e mísero desterro,
Na Cítia fria ou lá na Líbia ardente,
Onde em lágrimas viva eternamente."

E se o rei sabia dar a morte, como o mostrara ao vencer os mouros, também saberia dar a vida a quem era inocente. Mas
se apesar da sua inocência ainda a quisesse castigar que a desterrasse, expulsasse para uma região gelada ou tórrida
para sempre.

"Põe-me onde se use toda a feridade,
Entre leões e tigres, e verei
Se neles achar posso a piedade
Que entre peitos humanos não achei.
Ali, co'o amor intrínseco e vontade
Naquele por quem mouro, criarei
Estas relíquias suas que aqui viste,
Que refrigério sejam da mãe triste."

Que ele a colocasse entre as feras, onde poderia encontrar a piedade que não achara entre os homens. Ali, por amor daquele por quem morria ou sofria, criaria os filhos, que eram recordações do pai e seriam consolação da mãe.

"Queria perdoar-lhe o Rei benino,
Movido das palavras que o magoam;
Mas o pertinaz povo e seu destino
(Que desta sorte o quis) lhe não perdoam.
Arrancam das espadas de aço fino
Os que por bom tal feito ali apregoam.
Contra uma dama, ó peitos carniceiros,
Feros vos amostrais, e cavaleiros?"

O rei bondoso queria perdoar Inês, comovido por suas palavras. Mas o povo obstinado, persistente e o destino de Inês (que assim o quis) não lhe perdoaram. Os que proclamavam que ela deveria morrer puxam suas espadas. Mostram-se valentes atacando uma dama.

"Qual contra a linda moça Policena,
Consolação extrema da mãe velha,
Porque a sombra de Aquiles a condena,
Co'o ferro o duro Pirro se aparelha;
Mas ela, os olhos com que o ar serena
(Bem como paciente e mansa ovelha)
Na mísera mãe postos, que endoidece,
Ao duro sacrifício se oferece:"

Assim como Pirro se prepara com a espada ("ferro") para matar Policena, por ordem do fantasma de Aquiles, e ela, mansa e serenamente, move os olhos para a mãe, enlouquecida de dor, oferece-se ao sacrifício... Aquiles, herói da guerra de Tróia, era invulnerável por ter sido submergido, logo ao nascer, na água da lagoa Estígia (Lagoa da Morte). Personagem da Ilíada, de Homero, morreu durante a guerra de Tróia, quando foi atingido por uma seta no calcanhar, o único ponto vulnerável do seu corpo. Pirro, filho de Aquiles, teria sido aconselhado pelo fantasma ("sombra") do pai a matar Policena, noiva do herói morto. Matou-a quando esta se encontrava sobre o túmulo de Aquiles.

"Tais contra Inês os brutos matadores,
No colo de alabastro, que sustinha
As obras com que Amor matou de amores
Aquele que depois a fez Rainha,
As espadas banhando, e as brancas flores,
Que ela dos olhos seus regadas tinha,
Se encarniçavam, férvidos e irosos,
No futuro castigo não cuidosos."

   

Do mesmo modo agem os cruéis assassinos de Inês. No pescoço ("colo") que sustenta o
belo rosto ("as obras": o sorriso, o olhar, os movimentos do rosto), pelo qual se apaixonou
(o deus Amor, Cupido, fez morrer de paixão)
o príncipe, que depois a fará rainha, eles (os matadores) banham, lavam suas espadas e também as faces pálidas ("brancas flores") e molhadas de lágrimas de Inês; atacavam enraivecidos, sem pensar no castigo que o
futuro lhes reservava. Camões supõe que
Inês foi degolada, como Policena oferecendo o pescoço ao golpe,
e o sangue escorreu sobre seu rosto.

"Bem puderas, ó Sol, da vista destes,
Teus raios apartar aquele dia,
Como da seva mesa de Tiestes,
Quando os filhos por mão de Atreu comia!
Vós, ó côncavos vales, que pudestes
A voz extrema ouvir da boca fria,
O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,
Por muito grande espaço repetistes."

Naquele dia, o sol deveria ter se escondido, como fizera quando Tiestes comeu os próprios filhos em um banquete servido por Atreu, para não ver o terrível crime. A última palavra de Inês –
o nome de Pedro, o príncipe – ecoou longa e repetidamente por toda a região. Camões iguala a crueldade da morte de Inês à da história de Atreu e Tiestes. Tiestes era filho de Pélops e irmão de Atreu. Seduziu a esposa do irmão. Atreu deu a comer a Tiestes
os filhos que nasceram daquela união.

"Assim como a bonina, que cortada
Antes do tempo foi, cândida e bela,
Sendo das mãos lascivas maltratada
Da menina que a trouxe na capela,
O cheiro traz perdido e a cor murchada:
Tal está, morta, a pálida donzela,
Secas do rosto as rosas e perdida
A branca e viva cor, co'a doce vida."

Como uma flor colhida precocemente pelas mãos travessas ("lascivas") de uma menina para colocá-la numa grinalda
("capela"), assim está Inês, sem perfume e sem cor. Morta, pálida, com as faces ("do rosto as rosas") secas, murchas, sem rubor.
O padrão de beleza feminino era uma combinação de branco na testa, colo etc. ("branca e viva cor" ) e vermelho ("viva cor") nas "rosas" do rosto.

"As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca Fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores."

As ninfas do rio Mondego durante muito tempo lembraram
chorando a morte de Inês. E, para sua memória eterna, as lágrimas transformaram-se numa fonte chamada "dos amores de Inês", acontecidos ali. A fonte que rega as flores é refrescante porque é feita de lágrimas e de amores.

Fontes:
Klikeducação:
http://ig.klickeducacao.com.br/

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Monumentos em Nome do Amor

image

O Taj Mahal é o famoso Mausoléu Indiano mandado construir pelo imperador Muçulmano SHAH JAHAN, para "imortalizar" o amor á sua esposa favorita Mumtaz Mahal, também conhecida como Arjumand Banu Begam, que faleceu em 1631, devido a complicações no parto do décimo quarto filho.
O Taj Mahal é um conjunto arquitectónico que serve de mausoléu para Arjumand. Considerado por muitos como um dos mais lindos prédios do mundo, umas das actuais sete maravilhas do mundo, constitui um monumento ao amor eterno. Alguns historiadores consideram que o fascínio do Taj Mahal se deve ao grande amor que o Shahjahan tinha pela sua esposa.
Inteiramente em mármore branco, incluindo os quatro minaretes, é composto por cinco estruturas: a entrada principal, o jardim, a mesquita, o jawab e o mausoléu. O Taj Mahal é rigorosamente simétrico de qualquer dos seus lados e, devido à sua transparência, apresenta múltiplas tonalidades ao longo do dia, dependendo da posição do SOL.
Arquitectado por um grupo de arquitectos da Índia, Pérsia e Ásia Central, a construção deste monumento iniciou-se em 1632. Mais de 20.000 trabalhadores trabalharam diariamente para concluir, em 1643, o mausoléu central, de quatro lados e uma cúpula, sobre um nível elevado de mármore e com arcos de 33 metros. As mesquitas adjacentes, os muros e o portão foram terminados em 1649. Todo o edifício, que inclui um espelho d’água e vastos jardins, levou mais de 22 anos para ser construído.
O Taj Mahal localiza-se em Agra, antiga capital do império Mughal, norte da Índia, às margens do rio Jamuna. Património da Humanidade, pela Unesco em 1983, recebe, em média, mais de dois milhões de visitantes, por ano.

Fontes:
Adaptado por Catarina Faria de: http://fotolog.terra.com.br/vika_br:29

Imagem: http://www.adrenaline.com.br

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Outras Histórias famosas de amores infelizes

por: Ana Isabel Lopes

Romeu e Julieta:

Se o amor tem a força de superar todas as adversidades, este, só por existir, tornou-se na maior exaltação deste sentimento que alguma vez foi conhecida. Famoso em todo o mundo, o romance de Romeu e Julieta ainda hoje inspira corações apaixonados pelo esplendor com que a sua história nos envolve. Escrito por William Shakespeare, esta é uma narrativa que expõe o amor de dois adolescentes cujas famílias se odiavam e que, na esperança de serem felizes para sempre, ultrapassaram todas as infelicidades e obstáculos lutando até que o destino se interpusesse no seu caminho. Emocionante até ao último momento, Romeu e Julieta é uma história de amor infeliz que, apesar de ter acabado em tragédia, para sempre viverá na nossa memória como um amor dramático, intemporal e inolvidável.



O filme Romeu e Julieta, inspirado na obra de William Shakespeare, é uma representação contemporânea da trágica história de amor que conta com a participação de Leonardo DiCaprio no papel de Romeu e Claire Danes no de Julieta. Originário dos Estados Unidos, este filme de 1996 não foi o primeiro filme baseado na obra de Shakespeare; em 1968 foi rodado um outro filme com o mesmo título que retratava o amor entre os eternamente apaixonados adolescentes da cidade de Verona.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Cinema: A lenda da “rainha depois de morta” passou ao cinema

Verdade histórica e mito tendem a ser confundidos no nosso imaginário: os amores entre  Inês de Castro e o futuro rei de Portugal,D. Pedro, filho de D. Afonso IV, e o episódio da coroação de Inês depois de morta.

FILME: Inês de Portugal, 1945

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«SINOPSE:
No século XIV, chega D. Constança a Portugal, para casar com D. Pedro. Na sua comitiva, traz a sua aia D. Inês, por quem o noivo se apaixona. D. Inês prefere exilar-se, mas entretanto D. Constança morre, fazendo reatar o romance proibido. D. Afonso IV, pai de D. Pedro, manda executar D. Inês. D. Pedro revolta-se. D. Afonso IV morre e seu filho persegue os executores da sua amada. Coroação e funeral de de D. Inês.

REALIZADOR:
Leitão de Barros

PARTICIPAÇÕES:
António Vilar (Dom Pedro), Alicia Palacios (Dona Inês), Maria Dolores Pradera (D. Constança), João Villaret (Martin, o bobo), Erico Braga (D. Afonso IV), Raul de Carvalho (Diogo Lopes Pacheco) e Alfredo Ruas (Álvaro Gonçalves, o Meirinho-Mor).»

 

FONTES:

Música: «Corpo e Alma»

Os amores trágicos de Inês e Pedro em Ópera: "Corpo eCorpo_e_Alma Alma" de Christopher Bochmann esteve em cena no Teatro Nacional de São Carlos, em Junho de 2008. Texto de António Patrício, adaptação de Laureano Carreira."A lenda-história de Pedro e Inês é conhecida por toda a gente. Portanto, esta ópera não se preocupa em contar esta história mas antes em apresentar alguns aspectos dela sob uma luz diferente: uma luz cuja cor e cuja subtileza melhor se transmitem pela música do que por outros meios. No curto espaço de tempo de uma hora, a obra acompanha o delírio de Pedro e a sua transformação, de um amor sensual para um amor espiritual.

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Fontes:
Foto:
Germina

Sugestões de Livros: «Castro»

Publicada em 1587, a Castro é uma tragédia Castrode António Fereira  (1528-1569) , poeta do nosso classicismo renascentista, em que é contada a desventura de Inês de Castro.

INÊS E O REI

CASTRO:
Meu Senhor,
Esta he a mãy de teus netos. Estes são
Filhos daquelle filho, que tanto amas.
Esta he aquella coitada molher fraca,
Contra quem vens armado de crueza.
Aqui me tens. Bastava teu mandado
Pera eu segura, e livre t'esperar,
Em ti, e em minh'innocencia confiada.
Escusarás, Senhor, todo este estrondo
D'armas, e Cavaleiros; que não foge.
Nem se teme a innocencia, da justiça.
E quando meus peccados me accusaram.
A ti fora buscar: a ti tomara
Por vida em minha morte: agora vejo
Que tu me vens buscar. Beijo estas mãos
Reaes tam piedosas: pois quiseste
Por ti vir-te informar de minhas culpas.
Conhece-mas, Senhor, como bom Rey,
Como clemente, e justo, e como pay
De teus vassallos todos, a que nunca
Negaste piedade com justiça.
Que vês em mim, Senhor? Que vês em quem
Em tuas mãos se mete tam segura?
Que furia, que ira esta he, com que me buscas?
Mais contra imigos vens, que cruelmente
T'andassem tuas terras destruindo
A ferro, e fogo. Eu tremo, senhor, tremo
De me ver ante ti, como me vejo:
Molher, moça, innocente, serva tua,
Tam só, sem por mim ter quem me defenda.
Que a lingua não s'atreve, o sprito treme
Ante tua presença, porém possam
Estes moços, teus netos, defender-me.
Elles falem por mim, elles sós ouve:
Mas não te falaram, Senhor, com lingua,
Que inda não podem: falam-te co as almas,
Com suas idades tenras, com seu sangue,
Que he teu, faláram: seu desemparo
T'está pedindo vida: não lha negues
Teus netos são, que nunca téqui viste:
E vê-los em tal tempo, que lhes tolhes
A glória, e o prazer, qu'em seus spritos
Lhe está Deos revelando de te verem.

REY:
Tristes foram teus fados, Dona Ines,
Triste ventura a tua.
(excerto, Acto IV)

Estavas linda Inês, posta em sossego…

ines

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes insinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.


(Os Lusíadas, Canto120) alusivo a Inês de Castro

Fontes:
Foto:
Luís Filipe Coito