"Tu só, tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano."

Os Lusíadas, Luís de Camões
_____________________________________________
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de maio de 2009

“Duro e Fero Amor”

| por: Vera Pereira

Um duro e fero amor
Vos vamos aqui relatar
O de Inês e de Pedro
Que na história teimou em perdurar

Injusto Fado
Que Deus resolveu decretar
Só por mero capricho
E por enfadadas horas ter de suportar

Decretado foi assim
Que Pedro, herdeiro do poder real,
Se apaixonasse perdidamente
Por Inês, aia que da plebe era natural

Dois espíritos e dois corpos
Unidos foram por um amor
Que todos injuriaram
Por tal acto pecador

Por mero cisma da moralidade
E pelas circunstâncias que as aparências exigiam
Duas almas foram condenadas
Por facadas que lhe desferiram

quinta-feira, 30 de abril de 2009

“Meus caros, serenos dias”

| recolhido por: Ana Isabel Lopes

Desde sempre a música inspirou os amantes fazendo-os sorrir nas horas de maior paixão e chorar as horas de sofrimento que o duro e fero amor lhes proporciona. Com esta música de Cari Giorni, desfrutemos deste amor do qual sobressai a dor extrema de um amor aniquilado. A vós, Pedro e Inês.

"Cari giorni a me sereni
d’innocenza e di virtù,
foste brevi, siete spenti,
né a brillar tornate più.
Nel dolor è scorsa intera
la prim’ora dell’età,
mia giornata innanzi sera
nel dolor tramonterà."

Tradução:
“Meus caros, serenos dias”
Meus caros, serenos dias
de inocência e virtude,
fostes breves, já não sois,
nem a brilhar voltareis.
Na dor, profunda dor,
a minha vida amanheceu,
o meu dia, com o crepúsculo
na dor irá anoitecer."

FONTE:
Giuseppe Persiani
Ines de Castro (Salvatore Cammarano)
“Cari giorni a me sereni” (Inês – Romanza – Acto II)

Ouça esta belíssima música:

 

domingo, 18 de janeiro de 2009

Estavas linda Inês, posta em sossego…

ines

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes insinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.


(Os Lusíadas, Canto120) alusivo a Inês de Castro

Fontes:
Foto:
Luís Filipe Coito

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Os amantes separam-se hoje...

por: Bruno Micael

Hoje, faz 654 anos que D. Inês de Castro foi brutalmente assasinada. Aqui transcrevemos um poema de Bocage que vem mesmo a propósito:

Da triste, bela Inês, inda os clamores
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos Céus andas pedindo
Justiça contra os ímpios matadores;

Ouvem-se inda na Fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:

Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morte formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:

Milagre da beleza e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c'roa
A malfadada Inês na sepultura.


Após a condenação dos responsáveis pela morte de Inês, diz-se que D.Pedro fez uma cerimónia de coroação em que impôs à corte que todos os seus membros beijassem a mão de Inês.
Os túmulos, onde repousam para a eternidade, estão no Mosteiro de Alcobaça, de frente um para o outro para que, segundo a lenda, possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final.

Fontes:
Poema "A lamentável catástrofe de D.Inês de Castro" de Bocage
http://www.ruadapoesia.com/content/view/94/34/ - Sítio "Rua da Poesia"

Wikipédia - Inês de Castro
http://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%AAs_de_Castro

Wikipédia - 7 de Janeiro
http://pt.wikipedia.org/wiki/7_de_Janeiro

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Bocage escreve: À Morte de Inês de Castro

«Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores;
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.

«Mísero esposo,
Desata o pranto,
Que o teu encanto
Já não é teu.

«Sua alma pura
Nos Céus se encerra;
Triste da Terra,
Porque a perdeu.

«Contra a cruenta
Raiva íerina,
Face divina
Não lhe valeu.

«Tem roto o seio
Tesoiro oculto,
Bárbaro insulto
Se lhe atreveu.

«De dor e espanto
No carro de oiro
O Númen loiro
Desfaleceu.

«Aves sinistras
Aqui piaram
Lobos uivaram,
O chão tremeu.

«Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores:
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.»

Fonte: http://purl.pt/1276/1/poemas.html - "Bocage 1765-1805 | À Morte de Inês de Castro"