"Tu só, tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano."

Os Lusíadas, Luís de Camões
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quarta-feira, 13 de maio de 2009

“Duro e Fero Amor”

| por: Vera Pereira

Um duro e fero amor
Vos vamos aqui relatar
O de Inês e de Pedro
Que na história teimou em perdurar

Injusto Fado
Que Deus resolveu decretar
Só por mero capricho
E por enfadadas horas ter de suportar

Decretado foi assim
Que Pedro, herdeiro do poder real,
Se apaixonasse perdidamente
Por Inês, aia que da plebe era natural

Dois espíritos e dois corpos
Unidos foram por um amor
Que todos injuriaram
Por tal acto pecador

Por mero cisma da moralidade
E pelas circunstâncias que as aparências exigiam
Duas almas foram condenadas
Por facadas que lhe desferiram

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Monumentos em nome do amor: Ponte Milvio


| por: Catarina Faria

Nos dias que correm o romantismo parece perdido; o amor torna-se mais comercial do que sentido. Já quase não existem amores tão verdadeiros como os de Pedro e Inês. Contudo, existe uma tradição que continua a juntar muitos corações e a selar amores. A ponte Milvio, que se ergueu sobre o rio Tibre em 207 a.C., é mais um dos muitos monumentos que celebram o amor.

Reza a lenda que os soldados depois do serviço militar vinham colocar, nesta ponte, cadeados e atiravam a chave ao rio em sinal de missão cumprida. Mais tarde, esta prática foi adoptada pelos namorados que, no poste central da ponte, fazem as suas juras de amor e fecham o cadeado para de seguida atirarem a sua chave ao Tibre de modo a perpetuarem o seu amor.

Esta ponte tem sido palco de imensas surpresas. Muitos dos cadeados têm mensagens gravadas e existem alguns que servem de ligação a casais que estão separados pela distância, sendo o objecto físico que mantém a ligação metafísica. Esta tradição ganhou popularidade após a estreia do filme italiano “Ho voglia di te” no qual os protagonistas colocam o seu cadeado na ponte. Em Março de 2007 o poste da ponte desabou (talvez algum amor fosse grande demais), tendo sido reerguido dias depois do incidente.

Para bem dos nossos amantes Pedro e Inês, a própria História e grandeza do seu amor iria eterniza-lo, prendendo este amor com o mais forte dos cadeados ao imaginário português. 

http://farm1.static.flickr.com/146/413189129_4175221e6c.jpg

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Monumentos em Nome do Amor

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O Taj Mahal é o famoso Mausoléu Indiano mandado construir pelo imperador Muçulmano SHAH JAHAN, para "imortalizar" o amor á sua esposa favorita Mumtaz Mahal, também conhecida como Arjumand Banu Begam, que faleceu em 1631, devido a complicações no parto do décimo quarto filho.
O Taj Mahal é um conjunto arquitectónico que serve de mausoléu para Arjumand. Considerado por muitos como um dos mais lindos prédios do mundo, umas das actuais sete maravilhas do mundo, constitui um monumento ao amor eterno. Alguns historiadores consideram que o fascínio do Taj Mahal se deve ao grande amor que o Shahjahan tinha pela sua esposa.
Inteiramente em mármore branco, incluindo os quatro minaretes, é composto por cinco estruturas: a entrada principal, o jardim, a mesquita, o jawab e o mausoléu. O Taj Mahal é rigorosamente simétrico de qualquer dos seus lados e, devido à sua transparência, apresenta múltiplas tonalidades ao longo do dia, dependendo da posição do SOL.
Arquitectado por um grupo de arquitectos da Índia, Pérsia e Ásia Central, a construção deste monumento iniciou-se em 1632. Mais de 20.000 trabalhadores trabalharam diariamente para concluir, em 1643, o mausoléu central, de quatro lados e uma cúpula, sobre um nível elevado de mármore e com arcos de 33 metros. As mesquitas adjacentes, os muros e o portão foram terminados em 1649. Todo o edifício, que inclui um espelho d’água e vastos jardins, levou mais de 22 anos para ser construído.
O Taj Mahal localiza-se em Agra, antiga capital do império Mughal, norte da Índia, às margens do rio Jamuna. Património da Humanidade, pela Unesco em 1983, recebe, em média, mais de dois milhões de visitantes, por ano.

Fontes:
Adaptado por Catarina Faria de: http://fotolog.terra.com.br/vika_br:29

Imagem: http://www.adrenaline.com.br

domingo, 18 de janeiro de 2009

Cinema: A lenda da “rainha depois de morta” passou ao cinema

Verdade histórica e mito tendem a ser confundidos no nosso imaginário: os amores entre  Inês de Castro e o futuro rei de Portugal,D. Pedro, filho de D. Afonso IV, e o episódio da coroação de Inês depois de morta.

FILME: Inês de Portugal, 1945

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«SINOPSE:
No século XIV, chega D. Constança a Portugal, para casar com D. Pedro. Na sua comitiva, traz a sua aia D. Inês, por quem o noivo se apaixona. D. Inês prefere exilar-se, mas entretanto D. Constança morre, fazendo reatar o romance proibido. D. Afonso IV, pai de D. Pedro, manda executar D. Inês. D. Pedro revolta-se. D. Afonso IV morre e seu filho persegue os executores da sua amada. Coroação e funeral de de D. Inês.

REALIZADOR:
Leitão de Barros

PARTICIPAÇÕES:
António Vilar (Dom Pedro), Alicia Palacios (Dona Inês), Maria Dolores Pradera (D. Constança), João Villaret (Martin, o bobo), Erico Braga (D. Afonso IV), Raul de Carvalho (Diogo Lopes Pacheco) e Alfredo Ruas (Álvaro Gonçalves, o Meirinho-Mor).»

 

FONTES:

sábado, 17 de janeiro de 2009

Sugestões de Livros: "Inês de Castro" de María Pilar Queralt del Hierro

«Naquela manhã brumosa em que Inês de Castro, com apenas dez anos contempla os contornos do castelo de Peñafiel, ao lado da ama que acompanhará até ao último dos seus dias, contempla também, sem saber, o cenário onde terá início o primeiro acto da tragédia que ficará para a história como uma das mais belas histórias de amor de sempre, inalterada no seu imenso fascínio. A ama, inocente do seu peso trágico, pronuncia as palavras que o destino se encarregará de fazer cumprir – “um príncipe amar-te-á pelo teu colo de garça e pelos teus cabelos loiros e as tuas fontes virão a ser cingidas por uma coroa real” (…).
A aura de mistério e romantismo que envolverá para sempre a figura de Inês de Castro, a sua beleza lendária, a poesia trágica da sua vida foram magistralmente captadas pela pena de María Pilar Queralt del Hierro, numa obra que perdurará, certamente, na memória de quem a ler.»

O Livro:

Título:
Inês de Castro
Autor(a): Queralt del Hierro, María Pilar
Editora, Local e Ano de Publicação : Editorial Presença, Lisboa, 2003

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Os amantes separam-se hoje...

por: Bruno Micael

Hoje, faz 654 anos que D. Inês de Castro foi brutalmente assasinada. Aqui transcrevemos um poema de Bocage que vem mesmo a propósito:

Da triste, bela Inês, inda os clamores
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos Céus andas pedindo
Justiça contra os ímpios matadores;

Ouvem-se inda na Fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:

Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morte formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:

Milagre da beleza e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c'roa
A malfadada Inês na sepultura.


Após a condenação dos responsáveis pela morte de Inês, diz-se que D.Pedro fez uma cerimónia de coroação em que impôs à corte que todos os seus membros beijassem a mão de Inês.
Os túmulos, onde repousam para a eternidade, estão no Mosteiro de Alcobaça, de frente um para o outro para que, segundo a lenda, possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final.

Fontes:
Poema "A lamentável catástrofe de D.Inês de Castro" de Bocage
http://www.ruadapoesia.com/content/view/94/34/ - Sítio "Rua da Poesia"

Wikipédia - Inês de Castro
http://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%AAs_de_Castro

Wikipédia - 7 de Janeiro
http://pt.wikipedia.org/wiki/7_de_Janeiro

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Inês de Castro, a lenda"

por: Ana Isabel Lopes

A partir da história de Inês de Castro foi desenvolvida uma belíssima lenda que por todos é conhecida e que ou através da transmissão popular ou pela sua intelectualização pelas mãos dos mais diversos artistas chegou até aos dias de hoje. Tal como refere Luís Vaz de Camões em Os Lusíadas, “amores de Inês que ali passaram”, a Quinta das Lágrimas em Coimbra é o lugar por excelência dos amores de Inês e Pedro. As raras algas vermelhas na Fonte das Lágrimas tornam mais curioso o envolvimento do local com o romance histórico documentado. Assemelhando-se ao sangue derramado por Inês e seus filhos torna verosímil a lenda contada em torno do local. Não sendo conhecido o local exacto do desfecho deste amor, a Quinta das Lágrimas, envolta na sua atmosfera sedutora, torna quase irrefutável esta teoria. Este é o local onde a “mísera e mesquinha”, segundo Camões, “depois de morta foi rainha”.

A partir deste momento a Quinta das Lágrimas tornou-se um local obrigatório de passagem para todos aqueles que procuravam prestar a sua homenagem e conhecer o que foi este intenso amor que de tão intenso dura até aos dias de hoje. Este é um local onde ainda hoje paira o agradável clima de romance, envolvendo-nos de uma forma quase imperceptível mas simultaneamente tocante.

O facto de ter sido coroada rainha já depois de morta contribuiu significativamente para a perpetuação do mito que envolve Inês de Castro. Esta prova de amor tão violenta e grotesca fez com que jamais se apagasse da memória o inexaurível amor de D. Pedro e D. Inês de Castro. Esta que, já cadáver, foi proclamada e tratada como a mais imponente rainha de todas: no coração de Pedro só um amor reinava - e esse era o amor que devotava Inês de Castela.