"Tu só, tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano."

Os Lusíadas, Luís de Camões
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Monumentos em nome do amor: Ponte Milvio


| por: Catarina Faria

Nos dias que correm o romantismo parece perdido; o amor torna-se mais comercial do que sentido. Já quase não existem amores tão verdadeiros como os de Pedro e Inês. Contudo, existe uma tradição que continua a juntar muitos corações e a selar amores. A ponte Milvio, que se ergueu sobre o rio Tibre em 207 a.C., é mais um dos muitos monumentos que celebram o amor.

Reza a lenda que os soldados depois do serviço militar vinham colocar, nesta ponte, cadeados e atiravam a chave ao rio em sinal de missão cumprida. Mais tarde, esta prática foi adoptada pelos namorados que, no poste central da ponte, fazem as suas juras de amor e fecham o cadeado para de seguida atirarem a sua chave ao Tibre de modo a perpetuarem o seu amor.

Esta ponte tem sido palco de imensas surpresas. Muitos dos cadeados têm mensagens gravadas e existem alguns que servem de ligação a casais que estão separados pela distância, sendo o objecto físico que mantém a ligação metafísica. Esta tradição ganhou popularidade após a estreia do filme italiano “Ho voglia di te” no qual os protagonistas colocam o seu cadeado na ponte. Em Março de 2007 o poste da ponte desabou (talvez algum amor fosse grande demais), tendo sido reerguido dias depois do incidente.

Para bem dos nossos amantes Pedro e Inês, a própria História e grandeza do seu amor iria eterniza-lo, prendendo este amor com o mais forte dos cadeados ao imaginário português. 

http://farm1.static.flickr.com/146/413189129_4175221e6c.jpg

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Monumentos em Nome do Amor

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O Taj Mahal é o famoso Mausoléu Indiano mandado construir pelo imperador Muçulmano SHAH JAHAN, para "imortalizar" o amor á sua esposa favorita Mumtaz Mahal, também conhecida como Arjumand Banu Begam, que faleceu em 1631, devido a complicações no parto do décimo quarto filho.
O Taj Mahal é um conjunto arquitectónico que serve de mausoléu para Arjumand. Considerado por muitos como um dos mais lindos prédios do mundo, umas das actuais sete maravilhas do mundo, constitui um monumento ao amor eterno. Alguns historiadores consideram que o fascínio do Taj Mahal se deve ao grande amor que o Shahjahan tinha pela sua esposa.
Inteiramente em mármore branco, incluindo os quatro minaretes, é composto por cinco estruturas: a entrada principal, o jardim, a mesquita, o jawab e o mausoléu. O Taj Mahal é rigorosamente simétrico de qualquer dos seus lados e, devido à sua transparência, apresenta múltiplas tonalidades ao longo do dia, dependendo da posição do SOL.
Arquitectado por um grupo de arquitectos da Índia, Pérsia e Ásia Central, a construção deste monumento iniciou-se em 1632. Mais de 20.000 trabalhadores trabalharam diariamente para concluir, em 1643, o mausoléu central, de quatro lados e uma cúpula, sobre um nível elevado de mármore e com arcos de 33 metros. As mesquitas adjacentes, os muros e o portão foram terminados em 1649. Todo o edifício, que inclui um espelho d’água e vastos jardins, levou mais de 22 anos para ser construído.
O Taj Mahal localiza-se em Agra, antiga capital do império Mughal, norte da Índia, às margens do rio Jamuna. Património da Humanidade, pela Unesco em 1983, recebe, em média, mais de dois milhões de visitantes, por ano.

Fontes:
Adaptado por Catarina Faria de: http://fotolog.terra.com.br/vika_br:29

Imagem: http://www.adrenaline.com.br

domingo, 18 de janeiro de 2009

Cinema: A lenda da “rainha depois de morta” passou ao cinema

Verdade histórica e mito tendem a ser confundidos no nosso imaginário: os amores entre  Inês de Castro e o futuro rei de Portugal,D. Pedro, filho de D. Afonso IV, e o episódio da coroação de Inês depois de morta.

FILME: Inês de Portugal, 1945

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«SINOPSE:
No século XIV, chega D. Constança a Portugal, para casar com D. Pedro. Na sua comitiva, traz a sua aia D. Inês, por quem o noivo se apaixona. D. Inês prefere exilar-se, mas entretanto D. Constança morre, fazendo reatar o romance proibido. D. Afonso IV, pai de D. Pedro, manda executar D. Inês. D. Pedro revolta-se. D. Afonso IV morre e seu filho persegue os executores da sua amada. Coroação e funeral de de D. Inês.

REALIZADOR:
Leitão de Barros

PARTICIPAÇÕES:
António Vilar (Dom Pedro), Alicia Palacios (Dona Inês), Maria Dolores Pradera (D. Constança), João Villaret (Martin, o bobo), Erico Braga (D. Afonso IV), Raul de Carvalho (Diogo Lopes Pacheco) e Alfredo Ruas (Álvaro Gonçalves, o Meirinho-Mor).»

 

FONTES:

Música: «Corpo e Alma»

Os amores trágicos de Inês e Pedro em Ópera: "Corpo eCorpo_e_Alma Alma" de Christopher Bochmann esteve em cena no Teatro Nacional de São Carlos, em Junho de 2008. Texto de António Patrício, adaptação de Laureano Carreira."A lenda-história de Pedro e Inês é conhecida por toda a gente. Portanto, esta ópera não se preocupa em contar esta história mas antes em apresentar alguns aspectos dela sob uma luz diferente: uma luz cuja cor e cuja subtileza melhor se transmitem pela música do que por outros meios. No curto espaço de tempo de uma hora, a obra acompanha o delírio de Pedro e a sua transformação, de um amor sensual para um amor espiritual.

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Fontes:
Foto:
Germina

sábado, 17 de janeiro de 2009

Sugestões de Livros: "Inês de Castro" de María Pilar Queralt del Hierro

«Naquela manhã brumosa em que Inês de Castro, com apenas dez anos contempla os contornos do castelo de Peñafiel, ao lado da ama que acompanhará até ao último dos seus dias, contempla também, sem saber, o cenário onde terá início o primeiro acto da tragédia que ficará para a história como uma das mais belas histórias de amor de sempre, inalterada no seu imenso fascínio. A ama, inocente do seu peso trágico, pronuncia as palavras que o destino se encarregará de fazer cumprir – “um príncipe amar-te-á pelo teu colo de garça e pelos teus cabelos loiros e as tuas fontes virão a ser cingidas por uma coroa real” (…).
A aura de mistério e romantismo que envolverá para sempre a figura de Inês de Castro, a sua beleza lendária, a poesia trágica da sua vida foram magistralmente captadas pela pena de María Pilar Queralt del Hierro, numa obra que perdurará, certamente, na memória de quem a ler.»

O Livro:

Título:
Inês de Castro
Autor(a): Queralt del Hierro, María Pilar
Editora, Local e Ano de Publicação : Editorial Presença, Lisboa, 2003

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Os amantes separam-se hoje...

por: Bruno Micael

Hoje, faz 654 anos que D. Inês de Castro foi brutalmente assasinada. Aqui transcrevemos um poema de Bocage que vem mesmo a propósito:

Da triste, bela Inês, inda os clamores
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos Céus andas pedindo
Justiça contra os ímpios matadores;

Ouvem-se inda na Fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:

Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morte formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:

Milagre da beleza e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c'roa
A malfadada Inês na sepultura.


Após a condenação dos responsáveis pela morte de Inês, diz-se que D.Pedro fez uma cerimónia de coroação em que impôs à corte que todos os seus membros beijassem a mão de Inês.
Os túmulos, onde repousam para a eternidade, estão no Mosteiro de Alcobaça, de frente um para o outro para que, segundo a lenda, possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final.

Fontes:
Poema "A lamentável catástrofe de D.Inês de Castro" de Bocage
http://www.ruadapoesia.com/content/view/94/34/ - Sítio "Rua da Poesia"

Wikipédia - Inês de Castro
http://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%AAs_de_Castro

Wikipédia - 7 de Janeiro
http://pt.wikipedia.org/wiki/7_de_Janeiro

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

"História de Inês de Castro"

por: Ana Isabel Lopes

Inês de Castro, nascida em 1320 ou 1325 (não se sabe ao certo), na Galiza, era filha ilegítima de Pedro Fernandes de Castro e Aldonça Suárez de Valadares e prima em 3º grau de D. Pedro.

Tendo vivido parte da sua infância no castelo de Albuquerque torna-se aia de D. Constança Manuel que estava prometida ao príncipe de Portugal, D. Pedro.

Em 1340, Inês de Castro chega a Évora acompanhando o séquito de D. Constança.

D. Constança e D. Pedro casam na Sé de Lisboa perante a felicidade de todos visto que, para eles, esta mulher representava a fertilidade, pois não seria estéril como fora a primeira esposa de D. Pedro, Dona Branca de Castela. D. Afonso IV e Dona Beatriz, pais de D. Pedro, tinham esperança que D. Constança viesse a ser a mãe carinhosa dos seus netos.

No entanto, a vinda de Inês de Castro para Portugal como aia de D. Constança trouxe problemas a este casamento. Inês era uma jovem donzela de linhagem fidalga brindada pela natureza com um corpo esbelto, olhos brilhantes, rosto prendado, cabeleira abundante e tronco roliço bem torneado que atraíram o príncipe que não tardara a mostrar por ela preferência, simpatia e afeição. D. Pedro não pode jamais esconder o amor e a paixão que nutria por aquela mulher.

Esta relação não agradava, naturalmente, a D. Constança que julgava conseguir chamar o marido à razão com o nascimento do seu filho Francisco que viria a falecer. Convidou também Inês para madrinha com o intuito de que esta, como comadre de Pedro, se afastasse do seu marido. Nasceu, mais tarde, o segundo filho do casal, Fernando, que era protegido pelo avô e a quem estava destinada a coroa portuguesa.

A vida amargurada de D. Constança e a sua debilidade física não lhe permitiram viver muito tempo. Vivia numa constante melancolia que procurava colmatar através de passeios pelos jardins e serões musicais. Acabou por falecer no parto da sua filha Maria em 1345. Assim, D. Pedro torna-se num homem livre podendo viver sem entraves o seu amor com Inês de Castro.

Apesar de tudo, este amor perturbava o rei Afonso IV que achou por bem exilar D. Inês com a finalidade de impedir o relacionamento do seu filho com a jovem galega. Na verdade, esta intenção do rei saiu fracassada pois Inês e Pedro, servindo-se dos almocreves, comunicavam por apaixonadas cartas que mantiveram acesa a chama do amor de ambos que lhes permitiu superar todas as adversidades.

Contrariando as ordens de seu pai, D. Pedro fez jus ao seu amor mandando vir D. Inês para Coimbra iniciando-se uma vida em comum para o casal. No entanto, D. Afonso IV, apesar de insatisfeito com a situação, não entrou em confronto com o seu filho pelo desgosto que causaria à sua esposa, mãe do herdeiro, D. Beatriz.

A relação de Pedro e Inês era extraordinariamente feliz, viviam em harmonia em Santa Clara. Desta relação nasceram quatro filhos: Afonso, que falecera ainda muito pequenino, João, Dinis e Beatriz. Estas crianças viviam saudavelmente, rodeados de ternura, atenção e carinho por parte dos seus pais como representantes do imenso amor, para sempre eternizado, que os seus pais sentiam um pelo outro.

D. Afonso IV temia a conspiração que os poderosos Castros (irmãos de D. Inês) armavam para que um dos filhos de D. Pedro e D. Inês viesse a governar o reino de Leão e Castela, bem como o de Portugal, pondo fim à Independência da Pátria Portuguesa. Assim, preocupado com o rumo do seu reino e com o destino dos seus netos, D. Afonso IV tomou uma decisão. Para tal reuniu com Diogo Lopes Pacheco, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho que tomaram a decisão de acabar com a vida de D. Inês.

A 7 de Janeiro de 1355, Inês de Castro, eterno amor de D. Pedro, foi degolada juntamente com os seus três filhos. Vendo a chegada dos reis e dos seus conselheiros, Inês ficara surpreendida. Juntamente com ela pereceram os seus filhos e de Pedro.

Tendo encontrado D. Inês sem vida, D. Pedro reagiu com violência a este crime inclemente, como nunca se ouvira falar. Desafiando o rei, seu pai, para uma guerra, D. Pedro iniciava a sua vingança. Após a sua subida ao trono, em 1357, o amado de Inês atirou os responsáveis pela morte da sua querida para a prisão. O único que escapara à punição de D. Pedro fora Diogo Lopes Pacheco. Nos paços de Santarém, conta a lenda que D. Pedro, após ter amarrado as vítimas, arrancou pessoalmente o coração a ambos ainda em vida, a um pelo peito, a outro pelas costas, afirmando que quem fizera aquilo ao seu grande amor não teria certamente coração.

Já rei de Portugal, D. Pedro confessou ter casado secretamente com D. Inês tornando-a, assim, rainha de Portugal. Deste modo, procedeu à transladação do corpo de Inês do Mosteiro de Santa Clara em Coimbra para Alcobaça, num túmulo que mandou construir para ambos para que, deste modo, ficassem juntos para a eternidade. Foi um cortejo fúnebre de uma imponência nunca antes vista, onde todos fizeram luto pela morte da jovem Inês. Nasceu até a lenda de que D. Pedro coroou Inês depois de morta, obrigando a nobreza a beijar-lhe a translúcida mão de rainha morta.